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O Mote do Mundo é a Floresta, de Catarina Leitão
Arte e cultura

O Mote do Mundo é a Floresta, de Catarina Leitão

Sábado, 17 de outubro de 2026 · 16:00Museu Nacional Soares dos Reis · Porto

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Descrição

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Instalação realizada a partir de investigação ao acervo do museu

O Mote do Mundo é a Floresta é uma instalação de Catarina Leitão desenvolvida especificamente para o Museu, a partir de uma investigação realizada no seu acervo.
Tomando de empréstimo, através de uma tradução livre, o título de The Word for World is Forest , de Ursula K. Le Guin, a exposição propõe pensar a natureza não como algo exterior à cultura, mas como uma construção material e imaginária. A floresta surge como ponto de partida para estabelecer relações entre objetos históricos, materiais, imagens e obras contemporâneas.
A investigação de Catarina Leitão no acervo do MNSR desloca a questão da representação da natureza para a própria matéria das obras. Cerâmica, têxtil, pedra, tinta e matéria vegetal encontram-se numa instalação onde diferentes formas de representar, transformar e construir o mundo se cruzam.
Na exposição, objetos provenientes de diferentes núcleos da coleção, entre cerâmicas, motivos de animais e plantas, pequenas ágatas e pinturas de paisagem, são reunidos numa espécie de gabinete de curiosidades. Retirados temporariamente das categorias que habitualmente os separam, estabelecem novas afinidades e revelam diferentes formas de transformar a natureza em imagem, matéria, objeto e artefacto.
Este universo dialoga com as Naturfaturas de Catarina Leitão, esculturas que aproximam crescimento e fabricação, matéria orgânica e matéria industrial. A ambiguidade estende-se ao próprio espaço expositivo, onde a relva artificial e outros elementos colocam em causa a fronteira entre aquilo que parece natural e aquilo que é construído.
A instalação ultrapassa ainda os limites da sala e prolonga-se até ao jardim do Museu, criando uma continuidade entre interior e exterior e tornando menos estáveis as fronteiras entre natureza e cultura, coleção e mundo. A floresta não é, assim, apresentada como uma paisagem a representar, mas como uma forma de relação: uma trama onde materiais, imagens, objetos e linguagens se encontram, contaminam e transformam mutuamente.

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